segunda-feira, 29 de junho de 2009

Britânicos criam novo teste para ajudar a identificar demência

Especialistas em Cambridge dizem que novo questionário é mais eficaz do que os testes tradicionais


Um novo teste elaborado para avaliar a agilidade mental de um paciente pode ajudar a detectar o Mal de Alzheimer com maior precisão do que os testes tradicionais, de acordo com pesquisadores britânicos.

O questionário com duas páginas pode ser preenchido pelos próprios pacientes na sala de espera de consultórios médicos ou de hospitais.

O chamado "Teste Sua Memória" (TYM, na sigla em inglês) inclui uma série de dez tarefas que têm o objetivo de avaliar habilidades-chave que podem ser afetadas pela doença, como a de copiar uma sentença, usar as palavras apropriadamente, empregar aritmética básica ou usar a memória.

Jeremy Brown, neurologista do Hospital Addenbrooke, em Cambridge, onde o teste foi desenvolvido, disse que o TYM detectou Alzheimer em 93% dos pacientes em um teste com 540 pessoas saudáveis e 139 pessoas já diagnosticadas com a doença. O teste tradicional, conhecido como Mini-Avaliação do Estado Mental (MMSE, na sigla em inglês), revelou a presença da doença em apenas 52% dos pacientes.

"É um novo teste de triagem para o mal de Alzheimer", disse Brown. "Não é um teste para diagnóstico mas poderá permitir uma triagem rápida de pacientes com problemas de memória e identificar os que precisam ser enviados para uma avaliação mais detalhada."

"O atual teste-padrão (...) vem sendo usado há 50 anos e leva cerca de oito minutos para ser concluído. Ele não é particularmente sensível para detectar o mal de Alzheimer."

O especialista acredita ainda que este teste pode ser muito mais fácil de aplicar em pessoas que não têm o inglês como língua nativa.

Entre as perguntas do TYM estão: "O que uma cenoura e uma batata têm em comum"?; "Desenhe os ponteiros para que o relógio marque 9h20"; "Em que ano a Primeira Guerra Mundial começou?"; ou "Escreva os nomes de quatro animais que comecem com a letra 'S'".

Em aritmética, pede-se que o paciente faça contas simples de adição, subtração e multiplicação.

O novo teste foi apresentado na revista BMJ Online.

Rebecca Wood, diretora executiva da ONG Alzheimer's Research Trust, disse que o novo teste é um grande passo nos esforços para identificar sinais prematuros de demência.

Wood acredita que dois terços das pessoas que desenvolveram o mal não foram diagnosticadas imediatamente.

Fonte: Portal Ciência & Vida

Como o álcool age no cérebro

Após algumas doses a mais, é inevitável que o álcool “suba à cabeça”, como se costuma dizer. Mas se os efeitos inebriantes dessa ingestão são muito conhecidos, o mesmo não ocorre com sua atuação na atividade cerebral. Um novo estudo, feito por cientistas do Instituto Salk de Ciências Biológicas e da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, acaba de dar uma importante contribuição para entender melhor como o álcool altera o funcionamento das células cerebrais. O trabalho acaba de ser publicado na revista Nature Neuroscience.

Paul Slesinger, professor do Laboratório de Peptídeos do Instituto Salk, e outros pesquisadores descobriram uma área específica para a ação do álcool localizada dentro de proteínas de canais iônicos. A compreensão de como o álcool atua no cérebro pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos para problemas como dependência química ou epilepsia, segundo os autores. Sabe-se que o álcool altera a comunicação entre neurônios. “Há muito interesse em descobrir como o álcool atua no cérebro. Uma das diversas hipóteses é que o álcool funciona ao interagir diretamente com proteínas de canais iônicos, mas não havia estudos que identificassem o local dessa associação”, disse Slesinger.

A nova pesquisa demonstra que o álcool interage diretamente com um local específico localizado dentro de um canal iônico, que tem papel fundamental em diversas funções cerebrais associadas com eventos epiléticos e com o abuso de álcool e drogas. Os canais, chamados de Girk, são abertos durante períodos de comunicação química entre neurônios e amortecem o sinal entre eles, criando o equivalente a um curto-circuito. Quando os Girks se abrem em resposta à ativação neurotransmissora, íons de potássio são liberados pelo neurônio, diminuindo a atividade neuronal.

O estudo é o primeiro a identificar que o álcool estimula os canais Girk diretamente, e não por meio do resultado de outras alterações moleculares nas células. “Achamos que o álcool sequestra o mecanismo de ativação intrínseca dos Girk e estabiliza a abertura dos canais. O álcool pode fazer isso por meio da lubrificação das engrenagens de ativação dos canais”, aponta Slesinger. “Se pudermos encontrar uma droga que se encaixe no ponto específico de atuação do álcool e ative os canais Girk, talvez possamos diminuir a excitabilidade neuronal no cérebro, o que resultaria em uma nova estratégia para o tratamento da epilepsia”, disse o pesquisador. (Da Agência Fapesp)

Fonte:
Viver Mente & Cérebro

domingo, 28 de junho de 2009

A intolerância que mata

:: por Silvia Malamud ::
Há poucas semanas, tivemos um evento pacífico (Parada Gay) que visou promover a expressão de individualidades por intermédio de grupos. Infelizmente, outro grupo com um tipo de visão diferente dessa realidade, acabou por agredir fisicamente um participante da "Parada", até que a sua morte ocorresse.
Ao longo de nossas vidas, a construção do nosso eu é altamente influenciada por todos os espaços em que transitamos, sendo que o que mais nos define como pessoas são as vivências de início de nascimento, primeira infância e juventude.Quanto ao nosso nascimento, o que conta é o ambiente. Dependendo do tipo de afeto, promoção de limites e ritmos adequados ou não para o crescimento do bebê e etc. A mente individual se formará e entenderá a vida de acordo com experiências que podem ser tanto estruturantes, como desestabilizadoras.
Já na adolescência, depois desta breve, porém importante primeira estruturação do psiquismo, meninos e meninas têm a oportunidade de buscar uma personalidade mais autêntica. A intenção é a de se diferenciar. Tornar-se um. Para esse feito, adolescentes costumam andar em grupos que afirmem a conquista destas supostas novas identidades independentes.
Temos inúmeros exemplos de grupos que promovem os mais variados tipos de identidades. São grupos que ampliam e criam normas e regras de conduta a respeito de si mesmos como entidade grupal, normas e regras em relação aos outros e, por fim, em relação a vida.
É neste importante momento que os jovens costumam se filiar a entidades religiosas, a grupos esportivos, times de futebol, a grupos que só falam sobre internet, grupos sobre vídeo games entre outros tantos... A grande questão é que em todos estes grupos, invariavelmente, criam-se regras de conduta e de percepção da realidade. Em grupos mais antigos, as regras são conhecidas e repassadas aos novatos. Como exemplo, podemos contar sobre os grupos religiosos onde os conceitos morais além de serem estudados são vivenciados. Nos grupos esportivos, costuma ocorrer o mesmo e, nos demais, cada um ao seu modo, em meio às suas próprias leis também acaba acontecendo a explanação e passagem de sistemas com distintos valores. Na maioria destes grupos, mesmo em meio às suas variações de visão de mundo, parece que o objetivo é fazer um pacto com o mundo da realidade. Parte-se de uma identidade grupal onde se busca, de modo individual, temas para ser e estar no mundo.
A questão, porém, pode tornar-se delicada na medida em que estes jovens buscadores encaminham-se para determinados grupos de conduta duvidosa. Isso se deve por conta da inexperiência frente à própria vida. Na maioria das vezes, são situações de encontro que ao acaso esbarram nos jovens quer seja por influência de conhecidos ou mesmo de amigos.
Os jovens estão expostos ao mundo, querem sair do nicho familiar e devem fazê-lo, mas estes ainda não estão prontos, posto que estão em plena fase de formação de suas identidades.
Todos nós sabemos o quanto de energia os jovens têm. Possuem abundância de energia física, sexual, agressiva e criativa. Por conta desta questão e por estarem se iniciando no mundo fora do ambiente familiar, devem tomar todo o cuidado e serem os mais abertos possíveis para com seus pais em relação à escolha dos grupos pelos quais se sentem atraídos ou que já freqüentam. Algumas vezes, ao longo de suas fases iniciais de vida por terem inconscientemente compreendido de modo distorcido como que poderiam expressar as suas mais diversas energias ou mesmo por inexperiência e imaturidade, muitos sem saberem tornam-se presas fáceis ao associarem-se a grupos suspeitos e de conduta duvidosa.
É com muito pesar que relato que já recebi em minha clínica algumas histórias dessa ordem, onde pais trabalhadores sequer tinham conhecimento das atividades "clandestinas" de seus filhos.
Uma das funções do nosso aparelho psíquico é a de organizar um eixo condutor que defina quem somos nós em meio a todas estas vivências. Funcionamos de modo associativo onde todas as nossas vivências se intercambiam e o resultado deste montante está no modo como cada um pensa sobre si mesmo e sobre a realidade onde vive. Deste modo, formamos as nossas identidades, os nossos conceitosSomos assim. Entendemos a realidade através destes eixos condutores. Por atração, semelhante gosta de compartilhar com semelhante as mesmas idéias, os mesmos ideais. A identidade individual se reforça neste tipo de conversa e em meio a tantos tipos diferenciados de vivências em pleno século XXI, corremos o risco de não fecharmos uma identidade única que nos dê um apaziguamento interno que nos definam como Um.
É muito provável que essa garotada que busca meios violentos e regras mais rígidas de expressão grupal, em nome de se sentirem com uma identidade forte, no fundo, sintam exatamente o inverso. A identidade é frágil e oca e fica tentando a todo custo se reafirmar. Já vimos isso acontecer inúmeras vezes ao longo da história. A tentativa de se sentir fortalecida em suas identidades, pelo desespero camuflado, acontece na expressão de variadas formas de violência e de intolerância a liberdade de expressão da individualidade do outro. A partir daí, decide-se que não se gostam de determinadas etnias, religiões, opções sexuais entre outros. Nesta vertente da falta de identidade interior, a possibilidade de identificação com os grupos dos supostos valentões é infinita e altamente perigosa. Primeiro, porque ali se inventa uma identidade reativa que de modo algum preenche a questão fundamental que é o preenchimento saudável da essência do ser. Segundo, porque a vida fica num ciclo vicioso girando em torno de regras agressivas de violência, com lógicas das mais absurdas, apenas e tão somente para que jovens possam escoar de modo distorcido as suas abundantes energias e terem a ilusão de que possuem alguma identidade que os defina no mundo.
Ser é completar-se por dentro, ter um sentido sagrado e amoroso em tudo o que se faz. Sentir-se criativo em qualquer tipo de função construtiva que se faça. Isso pode ser lavar pratos, ler e elaborar o que se lê e, enfim, como dito anteriormente, tudo que se faz com a intenção construtiva.
Constantemente, somos atropelados por idéias e anseios de outros, quer seja do estado, de religiões, amigos, vizinhos, net, ou pelas nossas leituras. Poderia aqui citar uma infinidade de fundamentos que podem tomar posse das nossas identidades quando ainda não autoconscientes, muitas vezes promovendo estragos incomensuráveis tanto em si como nos outros.
Aqui fica um alerta aos pais para que atentem quando seus filhos trazem qualquer dúvida em suas mentes e que estes mesmos pais possam estar efetivamente juntos com os seus filhos orientando-os. Sabendo que são a matriz. E, se por acaso, descobrirem algo de suspeito na conduta dos seus filhos, responsabilizem-se como pais, porém, evitem a culpa excessiva que não leva a nada. Não somos tão onipotentes assim a ponto de evitar tudo o que não seja bom. O mal existe e cabe a cada um de nós o desenvolvimento da responsabilidade pessoal para ficar no que é ético. E se necessário for, ter humildade para pedir ajuda.

Silvia Malamud é colaboradora do Site desde 2000. Psicóloga e atua em seu consultório em São Paulo.Terapeuta licenciada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA, Brainspotting Psicoterapia Breve, Psicoterapia de Casais e Quântica(SCIO). Tel. (11) 9938.3142 - deixar recado..
Fonte: STUM

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Perfil empreendedor

por Léo Fraiman*
Uma parte das características das pessoas com espírito empreendedor tem origem genética e a outra pode ser desenvolvida por meio de treinamento e educação. As pessoas empreendedoras têm como características principais autoconhecimento, auto-estima bem desenvolvida, solidariedade, estão inseridas em um contexto cultural, sabem se comunicar e trabalhar em equipe, têm inteligência emocional, são criativas e pró-ativas e utilizam a tecnologia a seu favor.Acompanhe mais detalhes sobre cada uma dessas características:


· Autoconhecimento: conhecendo-se bem, fica mais fácil vislumbrar novidades e oportunidades de seu interesse. Saber quais são nossos pontos fortes, quais são nossas fraquezas (e como melhorá-las) é essencial.· Auto-estima: com essa característica bem desenvolvida a pessoa se sente livre e motivada para tomar decisões e soltar a criatividade. Aquele que tem uma boa auto-estima se permite expressar suas opiniões e sustentar seus pontos de vista com convicção, veste-se bem, tem cuidado com seu material escolar e com sua saúde, cria uma boa impressão perante os outros e tenta novos projetos que estão além da “zona de conforto”.


· Solidariedade: ser solidário não significa apenas ajudar grupos sociais em necessidade, mas também dar “aquele” apoio para um amigo. A solidariedade ajuda a se conhecer melhor e a encarar a realidade e as necessidades humanas de um modo digno. A pessoa solidária participa de eventos voluntários, ajuda os colegas que estão com dificuldades e é um bom filho dentro de casa. Sabe partilhar, e a hora de ceder.


· Contexto cultural: é importante ser um participante ativo do mundo e ter consciência dos problemas, das dificuldades e das oportunidades que podem ser mudadas. A pessoa realmente inserida no contexto cultural, lê temas relacionados às mais diversas questões, mostra sua opinião em debates sobre a atualidade, conversa com as pessoas sobre a realidade do mundo, gosta de debater e de expor a sua opinião e sabe ouvir.


· Habilidade de comunicação: para se relacionar, para expor as idéias e para criar algo novo é preciso saber se comunicar. A pessoa comunicativa mostra boa compreensão e capacidade de expressão, seja sob a forma escrita ou falada. Tanto as pessoas extrovertidas como as introvertidas devem treinar a forma como se colocam no mundo.


· Inteligência emocional: essa característica faz com que a pessoa perceba as emoções dos demais, procure o melhor momento para falar com os outros, descubra a forma mais adequada para falar coisas difíceis, saiba conter a raiva em momentos de desconforto e tente sempre uma conciliação entre colegas que se encontram em conflito, além de cuidar de sua auto-motivação perante o que lhe for difícil ou desafiador.


· Criatividade: sem ela, fica difícil pensar em algo além do tradicional. A criatividade pode ser desenvolvida com curiosidade, viagens, leituras, teatro, cinema e cursos específicos de artes ou de criatividade em geral.


· Trabalho em equipe: saber se relacionar é fundamental em qualquer situação ou local. Seja na escola ou em família, é essencial saber ouvir a opinião dos demais e levá-las em consideração para desenvolver seu trabalho. É na interação entre as idéias que se encontram as grandes novidades. A pessoa que sabe interagir ajuda os colegas durante a execução de uma tarefa, mostra sua opinião durante um debate em grupo e conclui as coisas que começa, pois honra a sua palavra.


· Habilidade para usar a tecnologia: saber noções básicas dos principais softwares e equipamentos tecnológicos é essencial para estar antenado com o mundo e abrir novas oportunidades. A tecnologia facilita a pesquisa e é um ponto de encontro entre diversas culturas e realidades. Muitas pessoas usam a Internet para vender seus serviços e conquistar parceiros para suas idéias. Agiliza a vida e facilita o ato de empreender.


· Pró-atividade: pro = a favor de + atividade = a energia que move o mundo. É a característica de uma pessoa que resolve as coisas. O individuo pró-ativo oferece ajuda a um professor, chefe, amigo ou colega, mesmo sem ser solicitado. Ele está sempre um passo adiante, pensando no que virá pela frente. É ele quem faz acontecer. Tem uma mente voltada as soluções e não fica brigando com o lado difícil, chato e duro da vida. Ao contrário, faz logo o que tem que ser feito para poder usar sua energia no que realmente lhe interessa.
*Psicoterapeuta e diretor da Clínica Fraiman, é conselheiro do Ikwa. Foi orientador educacional do Colégio Hebraico Brasileiro Renascença e Visconde de Porto Seguro. Atualmente é professor da cadeira de Orientação Profissional do Colégio Guilherme Dumont Villares, além de autor de diversos livros sobre o tema.

sábado, 16 de maio de 2009

Perdão ou Paz Temporária?


Muitas pessoas se enganam e pensam mesmo que se encontram num plano superior, mais alto que seu ofensor: "Eu sou humilde, caridoso e tenho a capacidade de perdoar!!!" O nosso perdão é um verdadeiro ato de humildade ou meramente um gesto manipulativo para demonstrar nossa superioridade? Pergunta que deveríamos nos fazer toda vez que dizemos para alguém: eu te perdôo, ou mesmo quando "damos uma trégua" em algum conflito.

Muitas vezes, ao tomarmos a rápida atitude de perdoar, não pensamos se estamos sendo honestos conosco mesmos e com o outro, e perdemos uma oportunidade verdadeira de curar as mágoas geradas nos dois lados. A pior coisa que pode acontecer em qualquer relacionamento é oferecer o perdão rápido demais! Ele pode até preservar uma relação, mas inibe o envolvimento e qualquer laço maior de intimidade.

Perdoar não custa nada e evita muitos rompimentos, porém, será que este tipo de perdão é realmente saudável para nós? Ele só nos oferece "momentos de paz", uma paz superficial, pois não permite que aprendamos as verdadeiras lições geradas em um confronto.

A paz temporária só faz aumentar o desconforto interior e solidifica uma forma errada de relacionamento. Intensifica a distância, o silêncio, e a mágoa. Ficamos com a dor e a tristeza incubadas no coração aumentando nossas chances de nos machucar novamente (energia que atrai), não resolvemos nossa dor, mas, sim, a negamos.

Só alcançamos a graça de perdoar diminuindo a raiva, a hostilidade existentes dentro de nós.

Como identificar se realmente perdoamos? Se na sua mente você formula a frase: eu perdoei, mas... nunca mais vai ser a mesma coisa! Significa que seu coração ainda está cheio de ressentimento e, mesmo que não exista o amor verdadeiro, então, a melhor saída é assumir sua dor e tentar resolvê-la, expressando-se de maneira adequada sobre o assunto, sem omitir sua contrariedade somente para ter um pouco de paz, porque ela será ilusória e desonesta.

Podemos ainda, perdoar, mas, fazer uma escolha que não inclua mais o outro em nossas vidas, porém, só teremos certeza que não ficou nenhum ressentimento se em nossos pensamentos não insistirem as más lemnbranças, pois o perdão não elimina um fato ou alguém e nem os retiram da história. Perdão não é a mesma coisa que esquecimento, mas precisa marcar um período de renovação, onde não há lugar para mágoas.

Quando nos esforçamos para reparar um erro, motivamos o outro a se libertar de seu ressentimento e fazemos um convite a ele para que entre novamente em nossa vida. Para que isso aconteça é necessário que exista reconhecimento da responsabilidade de ambas as partes.

Perdoar é aprender a não se importar com as maldades que são enviadas a nós. Com o coração amoroso e preenchido de compaixão, não damos lugar à tristeza e direcionamos nosso amor àqueles que estão precisando. Direcionamos nossa energia de maneira adequada e saudável para todos: quem perdoa pratica a honestidade e a verdadeira humildade e quem é perdoado pode sentir-se digno de uma demonstração de amor verdadeiro.

Mestre El Morya diz: Dou-vos estas linhas para que pudésseis recitar um mantra de perdão em qualquer lugar, cientes de que, o perdão é a chave para o contato com a porta aberta de Vosso Cristo pessoal:

"Eu Sou o perdão aqui atuando, dúvidas e medos expulsando, com asas de cósmica vitória, os homens para sempre libertando.

Com pleno poder, invoco agora o perdão a toda hora; toda vida sem exceção, envolvo com a graça do perdão.

A primeira frase é para nosso perdão pessoal, pois, só assim podemos perdoar os outros".

Vera Godoy

Participe da Palestra RESGATANDO O XAMÃ INTERIOR

Texto revisado por: Cris


por El Morya Luz da Consciência - nucleo.elmorya@terra.com.br
O Núcleo EL MORYA existe para aqueles que possuem mente aberta, sem pensamentos preconcebidos, e que, possuem sede pela Verdade.

Espontaneidade


A palavra espontâneo refere-se a tudo o que é natural, não comandado, nem controlado artificialmente. Este é nosso estado primordial, aquele com o qual chegamos ao mundo.
Mas, na medida em que nos desenvolvemos, torna-se necessário que nos adaptemos à realidade exterior. Então, vamos deixando para trás nossa espontaneidade original para poder corresponder ao que esperam de nós. Afinal, esta é a única maneira de sermos aceitos e integrados à vida em sociedade.

Entretanto, se não estivermos conscientes, este processo pode se tornar tão fortemente arraigado, que acabamos por esquecer totalmente de nossa essência. Assumimos de tal modo esta personalidade social, -necessária para transitarmos com sucesso no mundo- que acabamos por sufocar e manter reprimida nossa verdadeira identidade.

Muitas pessoas não conseguem distinguir em si, quais os anseios que brotam de seu próprio coração, daqueles que lhes foram impostos como sendo os mais adequados, promissores, vantajosos.
Sofrem, angustiam-se e sentem uma grande dificuldade em se adequar ou corresponder às expectativas alheias, por não perceberem que o importante é redescobrir a sua própria verdade, aquilo de que necessitam para serem verdadeiramente felizes.

A espontaneidade, que consiste em reagir aos acontecimentos seguindo a nossa própria natureza, e não a um padrão de reação pré-determinado, é a principal qualidade que precisamos resgatar, se quisermos alcançar um estado de alegria, serenidade e paz.

"...Uma das situações mais delicadas sobre o caminho do buscador: conhecer sempre se torna conhecimento... Conhecer é um processo. Conhecimento é uma conclusão. Quando o conhecer morre, torna-se conhecimento. E se você segue colecionando este conhecimento, então conhecer se tornará mais e mais difícil..

...Então, você carrega seu conhecimento ao redor de você. Uma pessoa culta está quase escondida atrás de seu conhecimento. Ela perde toda a claridade, toda percepção. O mundo torna-se distante; a realidade perde toda a transparência.

A pessoa culta está sempre olhando através do seu conhecimento. Ela projeta seu conhecimento. Seu conhecimento colore tudo - agora não há a mais remota possibilidade de conhecer. Lembre-se: conhecimento não é obtido somente através das escrituras -também é adquirido, e mais ainda, através da sua própria experiência.

....E Jesus disse: "Somente aqueles que são como crianças, estarão prontos para entrar no meu Reino de Deus" - somente aqueles que são como crianças, somente aqueles que ainda são capazes de maravilhar-se. Maravilhar-se é o grande tesouro da vida. Uma vez que você perca a capacidade de maravilhar-se, você terá perdido sua vida - então você se arrasta...

Este é um dos mais difíceis problemas que a mente moderna está enfrentando, porque o conhecimento tem se acumulado mais e mais a cada dia... Então, lembre-se de permanecer capaz de maravilhar-se como uma criança.

....Se você quer ser religioso, então, crie mais mistérios, descubra mais mistérios. Permita que seus olhos sejam mais preenchidos por maravilhas do que por qualquer outra coisa. Seja surpreendido por tudo que está acontecendo.

Tudo é tão tremendamente maravilhoso que é simplesmente inacreditável como você segue vivendo sem dançar, como você segue vivendo sem tornar-se extasiado. Você não deve ter visto o que está acontecendo ao redor.

Apenas ser é tão miraculoso, apenas respirar é tão miraculoso. Apenas respirar e apenas ser - nada mais é necessário para uma pessoa religiosa. Estar preenchido pelo mistério. E quando alguém está preenchido pelo mistério, o louvor desperta, e o louvor é uma prece. Quando você vê esta maravilhosa existência, você começa a louvá-la.

...Um homem pleno de consciência é imprevisível... Ele se move momento a momento, pleno de mistério. Ele age a partir do mistério; ele age a partir da resposta para o momento. Ele não carrega conhecimento.... A cada momento ele é novo, renascido.

...E nunca permita que seu conhecimento controle você e crie um caráter para você. Um caráter é uma armadura... Na armadura, você está encarcerado. então, você nunca pode ser espontâneo. Você já está no seu túmulo - um caráter é um túmulo.

....Mova-se pra a frente! Novamente como uma criança. É difícil, eu sei. É fácil dizer, difícil ser deste modo - mas este é o único modo de alcançar satchitanand - você pode alcançar a verdade, você pode alcançar a consciência, você pode alcançar a felicidade.

...Não permita que o conhecer se torne conhecimento e caráter. Então, um tipo totalmente diferente de caráter crescerá, o qual não será como o caráter que você tem visto no mundo. Ele será interior - uma disciplina virá do mais íntimo do seu coração. Nunca forçada- sempre espontânea. Não é como um comando: é um crescimento orgânico. Deus é o seu crescimento orgânico espontâneo.
Osho - A Sudden Clash of Thunder

Elisabeth Cavalcante é Taróloga, Astróloga,

Consultora de I Ching e Terapeuta Floral.

Atende em São Paulo e para agendar uma consulta, envie um email.

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Email: elisabeth.cavalcante@gmail.com

A Inteligência é Flexível


Quanto mais endurecido e inflexível, mais fácil de se quebrar diante de fortes impactos. Esta teoria -fisicamente constatável- não vale apenas para os objetos, mas, sobretudo e cada dia mais, para o comportamento humano.

Num mundo onde os produtos são perecíveis e os desejos são fugazes, a flexibilidade destaca-se como meio de sobrevivência. É a chave para a resiliência e também mote para o sucesso, tanto na vida pessoal quanto na profissional.

Fácil assimilar quando entendemos que não dá para crescer na rigidez. O crescimento, por si só, é maleável, moldável e adaptável às novas medidas e aos novos formatos. Sendo assim, inteligente é quem aprende a metamorfosear.

É notório que no mundo corporativo, a busca é cada vez mais enfática por profissionais capazes não de aceitar as diferenças inerentes a uma equipe ou um departamento, mas -acima de tudo- de celebrar essas diferenças.

Já não basta evitar os conflitos. É preciso enxergar neles uma oportunidade de promover mudanças necessárias, evoluir e se tornar melhor justamente por causa do que lhe é adverso.

Há alguns anos, desenvolvendo pesquisas sobre o que chamo de Inteligência Afetiva, constatei como é latente a falta de flexibilidade nos dias de hoje. Isso me levou a debruçar sobre uma questão fundamental e esquecida na atualidade: a gentileza. Não descobri nenhum segredo; a evidência já estava aí, porém, adormecida: pessoas gentis são flexíveis... e poderosas! Este trabalho resultou no livro "O Poder da Gentileza".

É incrível como ainda há quem aposte que investir nas relações humanas não é o comportamento mais eficaz para os que ambicionam altos cargos ou grandes fortunas. Estes, certamente, desconhecem o poder da gentileza.

O "Movimento pela melhoria das relações interpessoais e da qualidade de vida através da gentileza" (World Kindness Movement) -cujo representante oficial do Brasil é a Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV)- declara que pessoas gentis são mais valorizadas no mercado profissional, já que a qualidade das relações, a integração entre os funcionários e as atitudes de gentileza são fatores que influenciam nos resultados finais e no aumento da produtividade da empresa.

A gentileza e, por conseqüência, a flexibilidade e a tolerância, têm ainda influência direta sobre nossa saúde mental, emocional e física. A falta desses atributos na vida diária tem causado prejuízos incalculáveis a todos. A Organização Mundial da Saúde estima, por exemplo, que em 2020 a depressão será a segunda causa de improdutividade das pessoas, seguida apenas das doenças cardiovasculares.

Qual é a razão para tamanha insatisfação? Estou certa de que, em última instância, não se trata de aumento de salário ou posição hierárquica. Trata-se da falta de reconhecimento pelo humano que há em cada um; da falta de qualidade na troca entre as pessoas; do distanciamento, da falta de intimidade e de confiança, da falta de afeto e disponibilidade, da inflexibilidade para com as próprias frustrações. Trata-se da falta de gentileza! É disso que se trata, pode apostar!

Portanto, embora as habilidades técnicas sejam imprescindíveis para as empresas, elas sabem que podem treinar um profissional para que se torne habilitado tecnicamente, assim como sabe que para ser agradável, simpático, flexível e gentil, é preciso que haja uma decisão pessoal.

As empresas podem sim motivar e incentivar seus colaboradores para a mudança de comportamento, mas ser gentil é essencialmente uma escolha do indivíduo. Tem a ver com as crenças e os valores que ele alimenta diariamente. Ou seja, a gentileza é um exercício diário!

7 Condutas Gentis e Tolerantes no Ambiente de Trabalho:
1) Aprenda a escutar. Ouvir é muito importante para solucionar qualquer desavença ou problema.
2) Evite julgamentos e ações precipitadas. Quando estiver nervoso, deixe para conversar mais tarde.
3) Peça desculpas. Isso pode evitar conflitos maiores e salvar relacionamentos.
4) Valorize o que a situação e o outro têm de bom. Perceba que este hábito pode promover verdadeiros milagres.
5) Seja solidário e companheiro. Demonstre interesse pelo outro, por seus sentimentos e por sua realidade de vida.
6) Analise a situação. Alcançar soluções pacíficas pode depender da compreensão da raiz do problema.
7) Faça justiça. Esforce-se para compreender o outro e não para ganhar, como se eventuais discussões fossem jogos ou guerras.

fotoRosana Braga é Escritora, Jornalista e Consultora em Relacionamentos Palestrante
e Autora dos livros "Alma Gêmea - Segredos de um Encontro" e "Amor - sem regras para viver", entre outros.
www.rosanabraga.com.br e Comunidade no Orkut
mail: rosanabraga@rosanabraga.com.br

18 de maio: Dia Nacional da Luta Antimanicomial terá atividades em todo o país

18 de maio: Dia Nacional da Luta Antimanicomial terá atividades em todo o país


O dia 18 de maio é marcado como o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Em 2009, esta luta, iniciada no II Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental, completa 22 anos.

Naquele momento, os profissionais recusaram o papel de agentes da exclusão e da violência institucionalizadas, que desrespeitam os mínimos direitos da pessoa humana, e inauguraram um novo compromisso em busca de uma Reforma do modelos, das práticas e da política de atenção à saúde mental no país. A causa se tornou eixo de um amplo movimento social. Como um de seus resultados, temos hoje a definição legal da Reforma Psiquiátrica, ainda em fase de implementação.

Diversas atividades serão promovidas pelos Conselhos Regionais e por núcleos do Movimento Antimanicomial para marcar a data, sensibilizar a cultura pela causa antimanicomial, assim como para buscar os avanços necessários à implementação de um modelo de atenção efetivamente antimanicomial. No campo da Psicologia, queremos ainda marcar a posição da profissão diante da questão dos princípios orientadores da atenção à saúde mental no país.

O movimento de luta antimanicomial considera que a loucura pode e deve ter o seu lugar no mundo, que as subjetividades individuais contribuem na construção do todo social e que a aceitação das diferenças, sejam elas quais forem, faz parte do ideal de democracia da nossa sociedade.

Também já se constatou que não há mais espaço para instituições de cuidado focadas no isolamento, pois se sabe que o convívio comunitário e a interação social são fundamentais para todos os seres humanos. Para garantir saúde mental, é preciso garantir o protagonismo social e a condição de cidadania daqueles que trazem como questão o sofrimento psíquico.
A luta antimanicomial, fundamentada no oferecimento de direitos de cidadania e de convivência social aos portadores de transtornos mentais, é um desafio epistemológico para as ciências da saúde (e outras que queiram a elas se aliar).

Confira a programação de alguns dos Conselhos Regionais de Psicologia e de suas organizações parceiras para o 18 de maio deste ano:

Minas Gerais (CRP 04)
Em Montes Claros, na segunda-feira, 18, acontece uma passeata que terá início às 8h da manhã em frente à Prefeitura Municipal e será encerrada com apresentações artístico-culturais. Já estão ocorrendo atividades como exposição de trabalhos das oficinas terapêuticas do serviço de saúde mental, grupos de conversação para os usuários e trabalhadores de Saúde Mental.

Em Governador Valadares, no dia 18 haverá atividades de lazer e culturais na Praça dos Pioneiros – Centro, além de mesas redondas.
Em Juiz de Fora, a programação começa dia 16 e inclui shows, painéis informativos, varal de poesia e exposições de pintura.

http://www.conselhodepsicologiamg.org.br/GeraConteudo.asp?materiaID=963

Pernambuco (CRP 02)
Em Pernambuco, o CRP apoia o Núcleo Estadual da Luta Antimanicomial que realizará no dia 18 de maio uma passeata pelas ruas do Recife em favor do movimento. A caminhada tem início no Parque 13 de maio e segue em direção ao Marco Zero.


Rio de Janeiro (CRP 05)
O CRP realiza atividade de comemoração ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial nesta sexta-feira, 15 de maio, na Cinelândia, Centro do Rio. O encontro, que tem apoio do Núcleo Estadual do Movimento da Luta Antimanicomial, terá início às 13h. Durante a tarde, haverá apresentação da banda Sistema Nervoso Alterado e do Grupo de Teatro do Oprimido do Hospital Heitor Carrilho, além do Desfile das Camisas de Força Sociais.

http://www.crprj.org.br/2009050605.asp


São Paulo (CRP 06)
Na capital, acontece a I Feira de Saúde Mental e Economia Solidária, debates e exibição do filme Sobreviventes. Em Sorocaba, a programação conta com debate sobre a Reforma Psiquiátrica na Câmara Municipal.

http://www.crpsp.org.br/crp/Default.aspx

A baixada Santista e o Vale do Ribeira também terão intensa programação. Veja o folder (capa e programação).


Goiânia (CRP 09)

O Fórum Goiano de Saúde Mental promove manifestações públicas, atividades culturais e debates ao longo de maio.
A Passeata Maluco Beleza será uma manifestação pública político/cultural para marcar a data e fortalecer a luta por uma sociedade sem manicômios.

Uma mostra de vídeos e o Seminário – A Crise: Desafio Estratégico da Reforma Psiquiátrica também estão na programação.
Confira a programação, que segue até 21 de maio em

http://www.crp09.org.br/pt-br/site.php?secao=noticias&pub=743



Santa Catarina (CRP 12)

Em Santa Catarina, está previsto para 6 de junho o I Encontro dos Movimentos Sociais na Luta Antimanicomial.

No dia 18 de maio haverá programação cultural em Florianópolis, realizada pelo Núcleo Florianópolis do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, com debates e exibição de filmes.

http://www.crpsc.org.br/?open_pag&pid=257


Bahia (CRP 03)
No CRP, que agrega os estados da Bahia e Sergipe, a programação vai do dia 18 ao dia 23 de maio. No dia 23 de maio às 9h30 acontecerá a II Parada do Orgulho Louco. Em Salvador, a caminhada sairá do Cristo em direção ao Farol da Barra e será sucedida por uma feira de artesanato.

Mais informações: gtsm@crp03.org.br


Fonte: POL

sexta-feira, 15 de maio de 2009

AS FUNÇÕES DA MENTE

ATENÇÃO
São duas as qualidades fundamentais da atenção:

1. Vigilância: capacidade de dirigir a atenção a um novo objeto/estímulo; ou seja, de prestar atenção aos novos estímulos do meio;

2. Tenacidade: capacidade de manter a atenção voltada para um estímulo, fato ou tarefa; é a capacidade de concentração.

Nesta aula, por exemplo, nós estamos sendo tenazes, ou seja, estamos conseguindo concentrar nossa atenção sobre o conteúdo, ou seja, o estudo das funções mentais. Porém, quando entra alguém novo na sala, nos percebemos, ou seja, estamos também vigilantes aos novos estímulos.
As alterações são: hipo ou hipervigilância, hipo ou hipertenacidade. Há pacientes que, por exemplo, estando num quadro maníaco, com a mente acelerada, apresentam-se hipervigilantes e hipotenazes. Ou seja, vão pulando de um estímulo para outro muito rapidamente. Sua conversa poderia ser mais ou menos assim: "Professor, essa atenção que o senhor fala não se refere a das placas de sinalização? Atenção, animais na pista! Eu nunca gostei muito de animais, aliás, sou um sujeito urbano. Animais só em zoológico ou no cinema. O senhor viu o Clube da Luta? O ser humano também é um animal. Filme, filme mesmo eu gostei do Sexto Sentido. Gosto mais ainda é do Shoping onde está o cinema. As mulheres que andam por lá... O senhor tinha de ver. O senhor só anda no hospital, não é? Se bem que o ensino agora é mais ambulatorial. Eu gosto mais de aula prática do que de aula teórica...".

SENSOPERCEPÇÃO
Trata-se da capacidade mental de sentir e perceber o meio. Sensação + percepção. Sensação: o trajeto que vai desde a recepção sensorial do estímulo até sua chegada à célula cortical. Percepção: a transformação que esse estímulo sofre ao converter-se em fenômeno psíquico. A percepção é o fenômeno psíquico pelo qual a sensação faz-se consciente. Duas alterações qualitativas nesta função são muito importantes: ilusão e alucinação. A primeiro ocorre na presença de um estímulo/objeto externo. A segunda ocorre na ausência de um estímulo/objeto externo. Ilusão é, portanto, a percepção distorcidade de um estímulo/objeto. Alucinação é a percepção de um estímulo/objeto na ausência dele. Um exemplo de ilusão: o paciente diz que em meio ao barulho do motor do ônibus ouve vozes que o acusam de frouxo. Outro paciente, exemplo de alucinação, afirma que ouve vozes que o acusam de ser homossexual esteja aonde estiver, ou seja, sem estímulo externo nenhum. As alucinações e as ilusões serão auditivas, olfativas, gustativas, visuais, táteis e cinestésicas ou motoras. Neste último tipo, o paciente crê efetuar movimentos, sente-se erguido ou que lhe estão levantando um membro, por exemplo.

MEMÓRIA
Memória é a capacidade de fixar, conservar, evocar e reconhecer um estímulo. Duas destas etapas devem ser bem observadas: a fixação e a evocação. Os distúrbios da memória podem ser divididos em quantitativos e qualitativos.

Quantitativos: hipermnésia, dismnésia, hipo e amnésia.
A hipermnésia a princípio é uma boa qualidade. Porém, nem sempre. O paranóide apresenta uma hipermnésia seletiva: acumula tudo que é detalhe que possa lhe servir de apoio a idéia delirante de que é, por exemplo, vítima de uma conspiração.
Na dismnésia o paciente esquece alguns fatos de forma total, outros de forma parcial e outros não esquece. Como o derramar de tinta sobre a areia: impregna totalmente algumas partículas, parcialmente a outras e não atinge as demais.
Na hipomnésia e na amnesia, encontramos ou uma diminuição ou a perda total da memória. Devemos observar se é um problema na fixação ou na evocação. Ou se é tanto numa como noutra. Hipo ou amnésia de fixação ou anterógrada: o paciente não consegue lembrar de fatos recentes embora refira-se com precisão a fatos ocorridos no passado, até mesmo em sua infância. Desde o momento que ele teve prejudicada a capacidade de fixar ele não lembra. Antes disso lembra tudo. Em geral indica a presença de quadros cerebrais orgânicos, como a demência, por exemplo. Um tipo especial é a amnésia lacunar. O paciente não fixa um determinado período. Por exemplo, bebeu muito e não lembra onde deixou o carro, o que fez. Nunca irá lembrar. Hipo ou amnésia de evocação ou retrógrada: neste caso, o paciente fixou tudo normalmente, mas não consegue evocar. Indica, em geral, a presença de problemas emocionais que lhe impedem de evocar certas lembranças ansiogênicas.

Qualitativos: já visto ("dejà vu"), nunca visto, ilusão de memória e alucinação de memória.
Dejà vu, como o nome diz, implica na sensação de já se ter vivênciado algo que, em verdade, está a ocorrer pela primeira vez. Ocorre quando a situação presente encontra uma relação associativa com uma experiência anterior inconsciente reprimida.
Nunca visto é o contrário: o paciente crê nunca ter visto algo que, em realidade, já vivenciou. A situação fixada na memória foi intensamente reprimida por estar ligada a associações de conteúdo muito desagradável ao indivíduo.
Na ilusão de memória vemos a evocação deformada de um fato, influenciada por suas emoções. Em grau menor: o pênalti a favor de nosso time não marcado. Em grau maior: na paranóia, para corroborar interpretação delirante.
Na alucinação de memória, também chamada de confabulação, o paciente evoca algo que nunca fixou. Preenche o vazio da memória por história imaginada as quais conta como verdade. Vi, certa vez, um médico, numa atitude inadequada, dizer para um paciente hospitalizado: "Então, lhe liberei para passar o fim de semana em casa descançando e o senhor foi para uma pescaria!" O paciente, que não lembrava por que não fixava, em dúvida, preencheu o vazio contanto uma imaginária pescaria, ele que nem havia saído do hospital.

ORIENTAÇÃO
A orientação funcionando adequadamente nos permite em cada momento de nossa vida, ter consciência da situação rela em que nos encontramos. É o processo pelo qual captamos nossa identificação e o ambiente em que nos encontramos. Depende faz funções: atenção, sensopercepção, da memória e da consciência.
· Autopsíquica: Refere-se a própria pessoa. Saber seu nome, idade, local onde mora, profissão, etc.
· Alopsíquica: Tempo (ano, mês, dia, turno do dia) e espaço (lugar onde se encontra).
Portanto, o indivíduo normal está auto e alopsiquicamente orientado.

CONSCIÊNCIA
Chamamos de consciência a capacidade de perceber o cenário em torno de si e em perceber que se está dentro do cenário. Con + scientia. Do latim: reunião de conhecimentos. Consiste na percepção/conhecimento que um organismo tem de si mesmo e daquilo que o cerca. A capacidade de tornar-se ciente do cenário e de que se faz parte dele. No sono sem sonhos nossa consciência está inativa. Ao acordarmos vamos nos dando conta do cenário e de que estamos nele. Assemelha-se ao momento em que se ilumina um palco. Além do sono sem sonhos, a consciência está inativa em anestesia geral, no estado de coma e em certas doenças que lesam o cérebro.
Pode ocorrer: (1) Diminuição da consciência; (2) Ausência total de consciência; (3) Estreitamento de consciência.
No estreitamento na consciência seu campo diminui, se restringe a determinada direção; por exempo, o boxeador "grogue" que pode se defender e dar golpes, seguir as regras do pugilismo, mas é incapaz de qualquer outra coisa, inclusive retirar-se para seu campo. Na hipnose, a consciência se restringe à voz do hipnotizador.
A consciência pode também ir diminuindo, sendo rebaixada gradualmente até o completo obscurecimento. Graus de obscurecimento: obnubilação, confusão, estupor e coma.
· Obnubilação: Estão prejudicadas as funções atenção, sensopercepção e memória. É necessário sacudir o paciente, falar alto e várias vezes, para que consiga entender nossa pergunta.
· Confusão: É um grau mais acentuado que a obnubilação, incluindo também prejuízo na orientação.
· Estupor: Aqui, além das funções já citadas nos outros graus, está prejudicada a função pensamento. O paciente está imóvel, parece nem sequer conseguir pensar.
· Coma: É a abolição completa da consciência.
A consciência pode ser dividida também em: (A) Básica ou central ou simples; (B) Ampliada.
Na consciência básica ilumina-se o cenário e não se coloca nele nossa memória. Ou seja, é apenas o aqui agora. O indivíduo percebe que ele está no cenário. Por "ele" me refirou ao seu self, ao seu eu interior, a sua alma, ao seu espírito. Não importa o nome que vamos dar. Como a memória não é trazida para o cenário, esse self só é percebido como presente mas não se sabe nada de seu passado e de seu futuro. O self interage com os objetos presentes no cenário, mas não interage com sua própria memória.
Na consciência ampliada, a memória é trazida para o cenário, para o "palco iluminado". Meu self torna-se autobíográfico. Sei do meu passado e do meu futuro. Sim meu futuro está na memória, lá está armazenado o que eu planejei fazer amanhã, nos próximos anos, etc.
Certas doenças do cérebro, provocam a perda da consciência ampliada. No Alzheimer, por exemplo, o indivíduo perde ela. Só vive no aqui agora. Ilumina o palco, percebe-se nele, porém não traz para ele nem o passado nem o futuro. O self não é mais autobiográfico. Mais adiante, pode perder a noção de self. Vive apenas como um organismo que não tem eu interior.
(leia mais nos textos: "Consciência" e "Fantasma da máquina")

PENSAMENTO
No início, tudo se resumia a instinto e hábito.
No processo de evolução, o cérebro consegue representar na mente um objeto. A esta representação se segue outra e assim sucessivamente. Por associação as representações acabam uma chamando outra. Aos poucos, superpondo-se aos instintos e aos hábitos, o cérebro desenvolve uma nova capacidade, a capacidade de pensar.
O pensamento primitivo, portanto, consiste basicamente na sucessão de objetos representados no cérebro que vão fluindo uns encadeados nos outros.
A associações se processam na mente por:
· Lei da contiguidade espacial: duas ou mais idéias se associam porque correspondem à fatos ou estímulos recebidos no mesmo lugar. Se nos recordamos do céu, pensamos logo em estrelas. A lembrança da escola é acompanhada da imagem de alguns colegas.
· Lei da contiguidade temporal: duas ou mais idéias se associam porque correspondem a fatos e estímulos recebidos no mesmo momento. Por exemplo, raio com trovão.
· Lei da semelhança externa: duas ou mais idéias se associam porque correspondem a fatos ou estímulos que se parecem. Uma baleia nos faz pensar num golfinho. Na antiga mesopotanea tentava-se curar a icterícia de um enfermo atando ao leito do mesmo um galo de cor amarela para que atraísse sobre si o amarelo do doente.
· Lei da semelhança interna: duas ou mais idéias se associam porque correspondem a fatos ou estímulos recebidos que tem para o indivíduo o mesmo valor intrínseco ou despertam o mesmo sentimento. Lobo e onça, ambos despertam medo, ambos são agrupados em nosso cérebro como animais selvagens perigosos.
Associando por contiguidade e por semelhança vamos agrupando algumas representações, separando outras, vamos organizando-as em nossa mente, vamos pensando.
O conteúdo do pensamento primitivo se restringia aos elementos presentes captados pelos sentidos naquele momento (aqui e agora): a fruta que estava no galho a sua frente, o cheiro de carniça, etc. Ou seja, o pensamento era exclusivamente concreto.
Porém, as associações gradativamente vão sendo incorporadas à memória e a elas se recorre mais adiante. Ou seja, aos poucos, do pensamento exclusivamente concreto na base do aqui e agora, se desprende o pensamento abstrato. Esta forma de pensar vai além do que está sendo captado naquele momento pelos órgãos dos sentidos, opera incorporando elementos não presentes no campo da percepção. Volta no tempo, associa com representações armazenadas na memória vividas em tempos passados, surgindo no processo de pensar a dimensão temporal. Através do pensamento abstrato é possível nos desvincularmos totalmente dos elementos que estão sendo captados naquele momento. É como se viajássemos para outros espaços e outros tempos.
Em medicina, estudamos o pensamento observando suas três áreas:
A – PRODUÇÃO OU FORMA DE PENSAMENTO
Em outras palavras: como se produz este pensamento, que forma ele adquire? Lógica? Mágica? Lógica se baseada na realidade. Mágica se baseada nas nossas fantasias e imaginações.
A lógica, inclusive, é a denominação dada a parte da filosofia que estuda os meios de se chegar ao conhecimento verdadeiro. O pensamento humano, óbviamente, é um ato natural, espontâneo, dispersivo. Os filósofos, por sua vez, procuraram desenvolver uma organização na forma de pensar que permitisse ao ser humana conhecer mais e melhor a realidade do que ocorria em sua forma expontânea de pensar. Ou seja, desenvolveram o pensar científico. Os filósofos se perguntaram: "Se com nosso pensar expontâneo já conseguimos conhecer bastante a realidade que nos cerca, organizando, disciplinando nossa forma de pensar não obteremos muito mais conhecimento?" Ou seja, deveríamos desenvolver um método (meta = através de; odos = caminho; portanto, método = caminho através do qual se chega a um objetivo). O método científico de pensar consiste em organizar e aprimorar ao máximo qualidades já existentes no pensamento humano porém utilizadas de forma dispersiva. Ou seja, organizar e aprimorar a parte lógica de nosso pensar, aquela que se liga na realidade. Estas qualidades são:
· Definição: Consiste em colocar em palavras a essência de uma coisa (ser, objeto, idéia). É um recurso de expressão que utilizamos para transmitir o que é que queremos dar a entender quando empregamos uma palavra ou nos referimos a um objeto ou ser. A todo instante estamos nos colocando frente a definições: "O que é isso?" "O que é aquilo?" "O que você quis realmente me dizer?" Ou seja, estamos constantemente definindo. Lembremos Platão: "A palavra precisa concordar com o fato".
· Classificação: Consiste em distribuir os seres, as coisas, os objetos, os fatos ou fenômenos em acordo com suas semelhanças e diferenças.
· Análise: É a decomposição de um todo em suas partes. Como quase tudo é muito complexo, para se entender algo é necessário discriminar, dividir, isolar as dificuldades para resolvê-las. O espírito analítico volta-se para a diferença entre os objetos, é detalhista e busca a exatidão.
· Síntese: É a reconstituição do todo decomposto pela análise. Busca uma visão do conjunto e apoia-se nas semelhanças entre os seres, fatos, fenômenos e idéias. Análise e síntese são processos inversos mas complementares e estão na base de todos os métodos científicos.
· Indução: Processo que vai do particular para o geral, do conhecido para o desconhecido, dos fatos para as leis, do efeito para as causas, de várias verdades particulares chega-se a uma verdade geral ou lei científica, de uma amostragem válida estende-se o resultado a toda uma população por inferência, por ilação. Por exemplo: uma empresa vai lucrar mais patrocinando o time de futebol do Corínthinas ou o do Internacional? A empresa prefere vender mais para os paulistas ou para os gaúchos? Qual o clube tem maior torcida? Qual das torcidas tem maior poder aquisitivo? Qual das torcidas se interessaria mais pelos produtos da empresa? Qual clube aparece mais na mídia? Enfim, o processo vai da observação de fatos particulares até chegar a verdade geral. Uma "pérola" do pensamento indutivo: em 1666 Newton intui que do galho enfraquecido a maça é puxada para a Terra que é maior que a maça; a Lua é puxada para a Terra que é maior que a Lua. Conclusão: os corpos maiores atraem os menores. Depois, conclui por uma lei mais simplificada: os corpos se atraem.
· Dedução: O processo mais comum que vai da generalização para a especificação. Por exemplo: "Todo o brasileiro entende de futebol. Jorge Alberto é brasileiro. Jorge Alberto entende de futebol". Estamos tão habituados à dedução que muitas vezes pulamos a argumentação e vamos direto a conclusão. Cito como exemplo a pessoa que vai ser entrevistada tendo em vista obter um emprego. Minutos antes sente-se um pouco tonta. Imediatamente vai a lancheria próxima e toma um refrigerante. É possível que nem tenha tido consciência do processo que fez. Se perguntado, talvez responda que sentiu vontade de tomar um refrigerante. Seu raciocíneo, em verdade, foi complexo e essencialmente dedutivo: "Sinto-me um pouco tonto. Uma vez experimentei sensação parecida e conclui estar com hipoglicemia. Devo estar com hipoglicemia de novo. Quem está com hipoglicemia deve ingerir açúcar. Tenho poucos minutos para entrevista. Um refrigerante é algo com açúcar que posso encontrar e beber rapidamente".
No processo de descoberta de uma lei natural, dirigimo-nos do particular para o geral: indução. Obtida a lei, ao aplicá-la, dirigimo-nos do geral para o particular: dedução. Por exemplo, L. Auembruggerr (1722-1809) publicou um livro ao qual deu o nome de Inventum Novum. O invento que descreve é o método de percussão direta do tórax. Observara na infância seu pai batendo nas barricas de vinho para concluir pelo som mais abafado o nível de vinho contido. Por indução conclui que sempre que houver líquido num recipiente fechado, o som da percussão será mais abafado do que onde houver ar (do particular para o geral). Por dedução conclui que o mesmo se passaria com coleções de líquido na cavidade toráxica de seus pacientes (do geral para o particular). Transpôs assim para o exame do doente o método usado por seu pai com as barricas. J.N. Corvisart (1755-1821) teve conhecimento desta ainda obscura obra e divulgou-a em Paris e o método de percussão se mostrou espetacularmente fecundo em mãos dos clínicos franceses.
Graças a capacidade de pensar com lógico que adquirimos juízo. Juízo consiste na capacidade de comparar os fatos, as idéias, comprender suas conseqüências, tirar conclusões. É um trabalho de síntese, de compreensão e de julgamento do que considera certo ou não. Juízo da realidade: o processo mental mediante ao qual somos capazes de distinguir o que pertence a nossa realidade interna o que pertence a realidade externa. Na psicose, o paciente perde esta capacidade e considera seus pensamentos, fantasias, imaginações e sonhos como sendo reais. Juízo subjetivo: quando dirigido ao próprio indivíduo, é a autocrítica. Juízo objetivo: quando dirigido ao mundo externo.
Portanto ao observarmos a forma ou produção do pensamento de nosso paciente, estaremos sempre atentos a questão: lógico x mágico. Qual deles predonima? Quando predomina o mágico, estamos diante de um sintoma. Por exemplo, em psiquiatria se chama de autista aquele que apresenta autismo: está tão voltado para seus pensamentos fantasiosos que anda sem juízo da realidade. Por exemplo, entra cantando na sala e, indiferente se ali se processa uma reunião ou uma palestra, continua cantando.

B – CURSO DO PENSAMENTO
Quando o pensamento se expressa por meio da linguagem obsevamos um constante encadeamento de uma idéia com a que a precede. Normalmente há uma coordenação coerente e lógica das idéias afins e passa-se inintirruptamente e sem desvios da idéia inicial à final. Quando isto não ocorre, significa a existência de algum distúrbio.
· Fuga de Idéias: Há um aumento da atividade associativa e um desvio rápido de uma idéia à outra a ponto de não se chegar a concluir nenhuma. Encontra-se associada a alteração da atenção: hipervigilância, hipotenacidade. Por exemplo, o indivíduo começa a nos contar o enredo de um filme que acabara de ver que envolvia uma fuga em alta velocidade. A partir daí ele passa a falar da velocidade na fórmula 1, depois no trânsito de São Paulo. Parte para os problemas de violência em São Paulo. Segue com a violência humana, a bomba atômica, os átomos, a inércia, o bom descanço numa praia deserta, o peixe assado, o vinho, a produção de uva em Bento Gonçalves... Nunca chega ao final do filme.
· Desagregação: Diferente da fuga de idéias, na qual ainda se conservam as conexões normais, apesar da mudança constante antes da conclusão, na desagregação parece não haver nenhum fio de ligação. Ocorre uma salada de palavras. Exemplo: "jantei hoje, o carro desceu o edifício, o Paraguai é guai, nadam as pedras, foto vai, foto vem, veneno com jabutica, deus é grande".
· Bloqueio do pensamento: O curso do pensamento cessa bruscamente. Algumas vezes a interpretação é só momentânea, noutras é definitiva e começa outro pensamento completamente diferente.
· Inibição do pensamento: Tanto o início como o curso do pensamento são muito lentos. O paciente fala muito devagar, baixo, parece-nos que é muito difícil para ele pensar.

C – CONTEÚDO DO PENSAMENTO
· Idéias supervalorizadas: Idéias que tem carga afetiva mais forte tendem a dominar. A importância de uma idéia está diretamente relacionada com a importância interna de tal crença. O indivíduo torna-se cego para todo o resto.
· Idéia delirante (delírio): Uma idéia ou conjunto de idéias erradas, não aceitas pelo juízo normal da realidade. Características: 1. Falta de consciência do transtorno; 2. Irredutibilidade; 3. Tendência a difusão. Delírio sistematizado: interpretação total, há um discurso global delirante. Delírio não sistematizado: pequenos fragmentos delirantes, não engloba o todo. Uma idéia delirante pode ser de: grandeza, persecutória, auto-acusação, influência, referência, mística, ciúme, invenção e outras.
· Idéias obsessivas: São idéias não desejadas, não compreendidas e que se rechaçadas voltam a mente contra a vontade do indivíduo.
· Idéias fóbicas: coisas, objetos e situações que normamelmente não são perigosoas passam a ser coloridas com idéias de que são perigosas.
· Idéias auto ou heteroagressivas: O médico sempre estará atento a existência de tais conteúdos no pensamento de seu paciente pelo risco de suicídio ou de homicídio.

LINGUAGEM
É o modo de expressar-se. É o conjunto de sinais convencionais que utiliza o homem para expressar seus pensamentos e sentimentos. Tomando a linguagem como meio de expressão, ela pode ser: oral, escrita, mímica.
Na psicopatologia da linguagem oral, encontramos as seguintes alterações principais:
· Taquilalia ou verborréia: Aceleração da velocidade de expressão ou aceleração associativa. Característica dos estados de excitação.
· Bradilalia: Diminuição da velocidade de expressão por lentidão associativa. Por exemplo, na depressão.
· Mutismo: inibição voluntária ou semi-voluntária da palavra falada. Em certos casos, por exemplo, de depressão grave: não fala porque está certo da inutilidade de tentar qualquer tipo de comunicação, sua vida já acabou. No mutismo do esquizofrênico, o não falar se deve ao total desinteresse pelo mundo exterior totalmente mergulhado que está em suas fantasias.
· Ecololalia: Repetição como um eco das últimas palavras do interlocutor.
· Estereotipia verbal: Repetição automática de uma frase, palavra, sílaba ou som.
· Dislalia: defeito orgânico ou funcional da fala devido a mal formações ou inervação imperfeita da boca e dos órgãos de fonação; observa-se mais comumente na infância. Rotacismo: dificuldade em pronunciar o r. Landacismo: dificuldade de pronunciar o l. Sigmatismo: dificuldade em pronunciar o s.
· Disfemias: Desordens de emissão da palavra de causa não orgânica. Inclui-se aqui a tartamudez.
Na patologia da linguagem mímica, observamos:
· Hipermímica: Aumento dos movimentos da expressão facial.
· Hipomímica: Diminuição da expressão facial.
· Amímica: Imobilidade facial absoluta.
· Paramímica: Há uma impropriedade mímica; a mímica não traduz o estado afetivo do indivíduo.
A patologia da linguagem escrita, não apresenta maior importância na prática médica habitual.

INTELIGÊNCIA
É a capacidade de aproveitar a sua própria experiência prévia para superar obstáculos (resolver problemas) e alcançar seus objetivos. Na maioria dos casos, na própria forma do paciente nos comunicar como lida com sua vida, nos percebemos se sua inteligência é mediana ou se é gravemente disturbada. Entretanto, há casos em que necessitamos encaminhá-lo a realização de um teste de inteligência, que vai nos revelar seu QI (quociente de inteligência).
Estes testes não são totalmente precisos, muitos fatores podem limitar o desempenho do paciente no teste: bagagem socio-cultural, idioma, dificuldades motoras, sensorias e de comunicação que possa apresentar. Numa fórmula simplificada, poderiamos dizer que o resultado final é medido pela equação: I = idade mental/idade cronológica x 100.
O estudo da inteligência pode ser dividido em áreas, as chamadas sete (7) inteligências: I. Corporal/esportiva; II. Visual/espacial; III. Lógico/matemática; IV. Lingüística; V. Musical; VI – Interpessoal; VII – Intrapessoal ou intrapsíquica.
Para a relação médico paciente é de grande interesse a observação das duas últimas. A inteligência interpessoal consiste na capacidade de lidar com as pessoas:
1. Colocar-se no lugar delas;
2. Imaginar o que elas sentem;
3. Antever suas reações;
4. Observar sua inteligência;
5. Observar sua afetividade e sua agressividade(destrutividade);
6. Seu nível de maturidade;
7. Seus sentimentos e suas intenções em relação a ela mesma e aos outros.
A inteligência intrapsíquica consiste na capacidade de observar/lidar consigo mesmo:
1. Perceber os próprios sentimentos;
2. Avaliar seu próprio nível de inteligência;
3. Avaliar seu próprio nível de maturidade;
4. Perceber seus pontos fracos;
5. Sua afetividade, sua agressividade (destrutividade);
6. Seus projetos/sonhos.

AFETO
Afeto, sentimento, emoção, humor, são termos utilizados para a descrição desta função mental que participa e influi em toda a vida mental. Como vamos optar entre duas ou mais boas opções? Qual restaurante vamos? Qual cor vamos escolher se ambas são bonitas? O afeto é que decide. Se tivermos nosso afeto bloqueado, ficamos paralisados. Doença neurológica... Portanto, é uma importante função que influi em nossa atitude geral de aceitação ou rejeição de vínculos pessoais, de envolvimento ou não em determinada atividade, assim por diante.
Na psicopatologia da afetividade, encontramos:
· Afetos prazeirosos: Quando excessivos, como é o caso da euforia, pode ter origens em certas patologias; quadros maníacos, uso de drogas estimulantes.
· Afetos depressivos: Pode variar em grau, desde uma pequena tristeza até uma melancolia profunda.
· Afetos inadequados: A manifestação afetiva do paciente não combina com o que é esperado naquela situação. Por exemplo, no velório de alguém que lhe é significativamente importante, o indivíduo se mostra afetivamente indiferente ou até mesmo, alegre.
· Afetos ambivalentes: Sentimentos contraditórios, simultâneos em relação a uma mesma pessoa ou área de interesse.
· Medo, ansiedade, pânico: Nós precisamos do sentimento do medo, um alerta frente aos perigos desta vida. Porém, às vezes, este medo é desnecessário. Convivemos com uma permanente ansiedade. Ou temos crises de grande ansiedade sem motivo aparente, chamada de pânico.

CONDUTA
Sob este sub-título, estudamos as seguintes alterações:
· Hiperatividade: O paciente apresenta uma atividade exagerada. Na infância, encontramos crianças que são hipervigilantes, hipotenazes e hiperativas em quadros chamados de hipercinéticos.
· Hipoatividade: A atividade diminuida é comum em quadros depressivos.
· Conduta heteroagressiva: Quando a agressão se volta para outras pessoas, podendo chegar ao homicídio.
· Conduta autoagressiva: A agressão volta-se para si, podendo chegar ao suicídio.
· Compulsão: impulso irrestível de executar certo ato. É a conseqüência na conduta da alteração do pensamento chamada de obsessão. Apresenta, portanto, as mesmas característica desta.
· Estereotipias: Constante repetição de certas atividades. Os movimentos estereotipados são também chamados de maneirismos.
· Negativismo: Resistência do paciente em fazer o que se pede a ele, ou até mesmo, fazer o contrário do que se pede a ele.
· Catalepsia: Constante imobilidade numa posição qualquer. Um tipo de catalepsia é a flexibilidade cérea na qual as articulações do paciente podem ser estendidas sofrendo a resistência semelhante a da cera e permanecem na posição que a deixarmos mesmo que muito incômoda.
(Jorge Alberto Salton)

Fonte: Salton Courses

TODOS OS DEPRESSIVOS SÃO BIPOLARES?

O título tem a função de chamar a atenção para uma distorção diagnóstica. Há alguns anos muitos casos de transtorno bipolar não eram diagnosticados. Ultimamente passou-se para o outro extremo: tudo é bipolar.
Isto implica no uso exagerado de certos medicamentos chamados de estabilizadores. Medicamentos de fundamental importância na boa evolução de uma paciente quando utilizados nas situações em que eles realmente são indicados.
Para explicar com mais clareza, primeiro vamos rever a muito útil classificação do espectro bipolar descrita por Akistal, Pinto e Lara.

ESPECTRO BIPOLAR
_______________________________________
Bipolar ½ Esquizoafetivo
Bipolar I Depressão e mania
Bipolar I e ½ Hipomania
Bipolar II Depressão e hipomania
Bipolar II e ½ Depressão ciclotímica
Bipolar III Hipomania farmacológica
Bipolar III e ½ Hipomania com abuso de
álcool e estimulantes
Bipolar IV Hipertimia e depressão
Bipolar V Estado de depressão mista
Bipolar V e ½ Depressões recorrentes
Bipolar VI Instabilidade do humor e
demencia ______________________________________
Akistal, Pinto e Lara, 2005.

Quem há muitos anos trabalha com os transtornos afetivos sabe da importância de se discriminar as diferentes manifestações da doença. Sabe também da importância do uso dos medicamentos chamados de estabilizadores do humor nestes quadros, entre outros: carbolitium, carbamazepina, ácido valpróico, oxcarbamazepina, topiramato, olanzapina.

Porém, ocorrem alguns exageros. O primeiro é considerar que quadros de depressão unipolar são, na verdade, bipolares. Que os episódios maníacos ou hipomaníacos não foram percebidos na avaliação (bipolar I e II). Tal fato induz o médico a usar sempre um estabilizador do humor, afinal poderia não ser uma depressão apenas unipolar. Um paciente poderá ficar recebendo por muitos anos um medicamento desnecessariamente.

Outro exagero: nunca se deve usar antidepressivo no bipolar devido a possibilidade de uma virada maníaca (bipolar III). Na prática, raramente acontece isso e, em geral, são situações que se ocorrem podem ser corrigidas.

Outro: medicar sempre com estabilizador o bipolar I e ½ e o bipolar II. Muitas vezes não é necessário. A hipomania é leve e não traz prejuízos não justificando o uso diário, contínuo e por tempo indeterminado de um estabilizador do humor.

Concluindo:
1. A depressão unipolar existe sim;
2. É possível usar antidepressivos em alguns quadros bipolares;
3. Os estabilizadores mudaram sim para melhor a evolução dos pacientes com quadro bipolar porém não devem ser usados em todos os casos contidos no espectro bipolar.

(Dr. Jorge Alberto Salton)

Fonte: Salton Courses

DEMÊNCIA: COMO DIAGNOSTICAR?

Entrevistado: DR. PAULO CARAMELLI

Cada vez mais pacientes com suspeita de demência são atendidos em ambulatórios ou consultórios de médicos que lidam com clientela idosa. O dr. Paulo Caramelli, neurologista, professor adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e professor do curso de pós-graduação em Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, no intuito de auxiliar os médicos no correto diagnóstico, publicou um artigo na Revista Brasileira de Psiquiatria junto com sua colega dra. Maira Tonidandel Barbosa sob o título “Como diagnosticar as quatro causas mais freqüentes de demência?” (Rev Bras Psiquiatr 2002;24 Supl I: 7-10) Como a prevalência de demência duplica a cada 5 anos após os 60 anos de idade, é de suma importância a todo o médico ter o conhecimento necessário para o diagnóstico desses quadros. O dr. Paulo Caramelli, de forma muito didática, nesta entrevista que gentilmente concedeu ao site Comportamento Humano (CH) traça um roteiro que facilita o trabalho de seus colegas no dia-a-dia.

P – Como podemos definir a demência?
DR. PAULO CARAMELLI – Como uma síndrome caracterizada pelo declínio de memória associado a déficit de pelo menos uma outra função cognitiva (linguagem, gnosias, praxias ou funções executivas) com intensidade suficiente para interferir no desempenho social ou profissional do indivíduo.

P – A memória é uma alteração sempre presente?
DR. PAULO CARAMELLI – O diagnóstico de demência exige a ocorrência do comprometimento da memória, embora essa função possa estar relativamente preservada nas fases iniciais de algumas formas de demência, como a demência frontotemporal.

P – Para se chegar a um diagnóstico sindrômico de demência o que mais devemos observar além do comprometimento da memória?
DR. PAULO CARAMELLI – O diagnóstico sindrômico depende de comprovação objetiva do prejuízo cognitivo e também do comprometimento funcional (do desempenho em atividades de vida diária).

P – Como o clínico pode num primeiro contato avaliar o funcionamento cognitivo do paciente?
DR. PAULO CARAMELLI – Com testes de rastreio, por exemplo, o miniexame do estado mental. Pode empregar testes breves, de fácil e rápida aplicação como os de memória (por exemplo, evocação tardia de listas de palavras ou de figuras), os de fluência verbal (por exemplo, número de animais em um minuto) e o desenho do relógio. Nos casos em que persistem dúvidas diagnósticas (como nos casos de demência leve ou incipiente), a avaliação neuropsicológica formal, administrada por profissional habilitado, é recomendada.

P – Como avaliar o desempenho do paciente em atividades de vida diária?
DR. PAULO CARAMELLI – As atividades instrumentais da vida diária (usar o telefone, cozinhar, administrar contas bancárias, por exemplo) são acometidas mais precocemente, razão pela qual num primeiro contato devem ser as primeiras avaliadas. As atividades consideradas básicas (higiene pessoal, por exemplo) também devem ser observadas. Usualmente elas ocorrem mais adiante, após o prejuízo das atividades instrumentais.

P – Quais as causas mais freqüentes de demência?
DR. PAULO CARAMELLI – Inúmeras são as causas, mas as mais freqüentes são: doença de Alzheimer (DA), demência vascular (DV), demência com corpos de Lewy (DCL) e demência frontotemporal (DFT).

P – Como se faz o diagnóstico das causas da demência?
DR. PAULO CARAMELLI – O diagnóstico etiológico se baseia em exames laboratoriais e de neuroimagem (fundamentais para o diagnóstico de DV), além da constatação de perfil neuropsicológico característico. Esse último aspecto é particularmente importante para o diagnóstico diferencial das demências degenerativas, grupo do qual fazem parte a DA, DCL e a DFT. Na DA, por exemplo, predominam as alterações de memória para fatos recentes, usualmente constituindo a primeira manifestação clínica da doença.

P – Quais os exames laboratoriais que podemos considerar indispensáveis?
DR. PAULO CARAMELLI – O hemograma, as provas de função tiroidiana, hepática e renal, as transaminases hepáticas, as reações sorológicas para sífilis e o nível sérico de vitamina B12. Esses exames permitem a identificação de diversas causas potencialmente reversíveis de demência, além de possibilitarem detecção de eventuais doenças associadas.

P – Quais os exames de neuroimagem são necessários?
DR. PAULO CARAMELLI – Exames de neuroimagem estrutural: tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio. Eles poderão revelar alterações vasculares sugestivas do diagnóstico de DV ou de DA com doença cerebrovascular e outras condições como tumores, hidrocefalia ou hematoma subdural crônico.

P – No caso das demências degenerativas, o que se esperar dos exames?
DR. PAULO CARAMELLI – Nas degenerativas (DA, DCL e DFT), os exames laboratoriais são normais e os de neuroimagem estrutural revelam atrofia cortical, que, embora constitua alteração inespecífica, pode eventualmente apresentar distribuição topográfica sugestiva (por exemplo, atrofia predominante de lobos frontais e de porções anteriores dos lobos temporais na DFT ou de estruturas temporais mesiais, especialmente da formação hipocampal, na DA). No entanto, o diagnóstico diferencial se baseia em grande parte na história clínica, bem como no perfil neuropsicológico.

P – Em relação à doença de Alzheimer as alterações degenerativas de partes do cérebro provocam que sintomas particulares?
DR. PAULO CARAMELLI – A distribuição do processo degenerativo no cérebro provoca alterações cognitivas e comportamentais, com preservação do funcionamento motor e sensorial até as fases mais avançadas da doença. O primeiro sintoma é usualmente o declínio da memória, sobretudo para fatos recentes, relacionado ao acometimento precoce e intenso da formação hipocampal. Também surge desorientação espacial. Convém lembrar que a DA é a causa mais freqüente de demência, responsável por mais de 50% dos casos na população idosa.

P – Com a evolução do quadro, que outros sintomas acometem o paciente?
DR. PAULO CARAMELLI – Alterações da linguagem (principalmente dificuldade para encontrar palavras ou anomia), déficits de planejamento e de habilidades visuais-espaciais.

P – A demência vascular (DV) é devida a vários quadros?
DR. PAULO CARAMELLI – Trata-se da segunda causa mais freqüente de demência e refere-se aos quadros causados pela presença de doença vascular cerebral. Os fatores de risco para a DV são os mesmos relacionados ao processo de aterogênese e doenças relacionadas: idade, hipertensão arterial, diabetes, dislipidemias, tabagismo, doenças cérebro e cardiovasculares, entre outros.

P – Como se caracteriza a demência com corpos de Lewy (DCL)?
DR. PAULO CARAMELLI – É a segunda causa mais freqüente de demência degenerativa em idosos. Duas das seguintes manifestações são necessárias para o diagnóstico provável: (1) flutuação dos déficits cognitivos em questão de minutos ou horas; (2) alucinações visuais bem detalhadas, vívidas e recorrentes; (3) sintomas parkinsonianos, geralmente do tipo rígido-acinéticos, de distribuição simétrica. Os pacientes costumam também apresentar quedas ou síncopes, além de – freqüentemente - alterações de sono (transtorno comportamental do sono REM).

P – E quanto às demências frontotemporais (DFT)?
DR. PAULO CARAMELLI – Desse grupo de demência fazem parte a doença de Pick, a degeneração dos lobos frontais e a demência associada à doença do neurônio motor (esclerose lateral amiotrófica), além da chamada demência semântica. Nas DFT, a memória e as habilidades visuais-espaciais encontram-se relativamente preservadas, pelo menos nas fases iniciais. O quadro clínico revela alterações de personalidade e de comportamento, além de alterações de linguagem (redução da fluência verbal, estereotipias e ecolalia), de início insidioso e caráter progressivo. Na demência semântica, ocorre perda progressiva do reconhecimento do significado de palavras, objetos e conceitos (caracterizando prejuízo progressivo da memória semântica).

P – As alterações comportamentais podem induzir o médico a confundir com um quadro de depressão?
DR. PAULO CARAMELLI – Sim, à medida em que alguns casos de DFT podem se apresentar como isolamento social, apatia, perda de crítica, desinibição, impulsividade, irritabilidade e descuido da higiene pessoal.

P - Como foi que a vida lhe levou para a medicina e para a especialidade?
DR. PAULO CARAMELLI – Há muitos médicos na minha família: meu pai, meu irmão, um avô, meu único tio e meu único primo de 1º grau foram/são médicos, o que certamente teve grande influência sobre minha escolha. Em relação à opção pela Neurologia, eu a considero uma especialidade fascinante pela grande interface que tem, de um lado, com a Clínica Médica e, de outro, com a Psiquiatria, áreas que sempre me atraíram muito. Acho a Neurologia que foi uma forma de contemplar os meus diferentes interesses. Além disso, desde a faculdade eu fui atraído pela área das Neurociências Cognitivas, o que acabou me direcionando – já dentro da Neurologia – para a linha de pesquisa na qual trabalho.


P - Que mensagem daria a futuros e aos novos médicos?
DR. PAULO CARAMELLI – Não me considero em condições, e por isto não teria a ousadia, de dar conselhos a jovens ou a futuros colegas. Poderia apenas dar duas sugestões: que invistam muito e desde cedo em sua formação, e que, na medida do possível, busquem um campo de atuação dentro da Medicina em que trabalhem com prazer e no qual se sintam realizados tanto do ponto de vista intelectual quanto emocional. Embora a questão da remuneração seja fundamental e infelizmente o trabalho médico esteja passando por um momento de desvalorização, acho que quando o profissional se dedica e sente prazer pelo que faz, aumentam as chances de ser mais valorizado com o passar do tempo.

Fonte: Salton Courses

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